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Passeio por Cajon del Maipo – Chile

No sábado decidimos fazer um passeio por Cajon del Maipo, uma região a 100 km de Santiago, aos pés da Cordilheira dos Andes. Fechamos um tour com a empresa Expediciones Manzur, que aliás a gente super recomenda. A príncipio tínhamos cogitado alugar um carro para ir e fico feliz de não ter feito isso, porque a região é bem difícil de dirigir, afinal são os Andes né? Região montanhosa, terreno pedregoso em boa parte do caminho, tem que ser um 4×4 pra conseguir chegar lá, e sinceramente se eu puder te dar um conselho de todo coração é, não vá dirigindo, a estrada é realmente difícil, e pelo valor que pagamos no tour achamos que super compensou para duas pessoas.

E, se eu puder te dar outro conselho, lá vai: vá para Cajon del Maipo. A Paisagem é incrível, algo único na vida. Achamos a viagem mega cansativa, não vou mentir. Balança de cá, pula de lá, mas vou te dizer, vale muito a pena. Em meio a montanhas, vales, vulcões, piscinas termales você sente a grandiosidade da natureza. Um passeio de contemplação, de encontro.

Nossa primeira parada foram a Fontes Termais Valle de Colina. São 5 piscinas  aquecidas pelo Vulcão San José com uma paisagem é de tirar o fôlego. Lá além das termais há  um espaço enorme para acampar, fazer churrasco. Fiquei imaginando ficar lá à noite e ver o céu estrelado e a fumaça do San José, que segundo nossa guia pode ser vista ao anoitecer. Fiquei meio sem chão nesse lugar. A força da natureza é tão intensa, nada disfarçada. É impossível não parar para pensar em como somos pequenos, nós seres humanos, e por vezes achamos que somos tanta coisa, o centro da universo, quando na verdade há tanto mais que a gente nesse mundo. Seria tão melhor aprendermos a dividir e compartilhar né não?

Mas voltando ao passeio, das termales fomos para o grande Embase el Yeso. O Embase é um lago  artificial que represa a água de degelo da cordilheira e do Rio Maipo, localizado a cerca de 2500 m de altitude. Ele é a principal fonte de água da cidade de Santiago, com cerca de 400 milhões metros cúbicos de água limpa e cristalina vezes verde, vezes azul, depende do clima. Nesse dia estava meio nublado, mas nem por isso menos bonito. Outra paisagem de tirar o fôlego.

Voltamos de Cajon del Maipo transformados. Um passeio sem luxos. Uma comunidade simples, com uma riqueza surpreendente. A natureza é assim né? Eu nunca imaginei que gostaria tanto de me envolver com paisagens e lugares naturais  mais do que com o ambiente urbano das cidades turísticas e cá estou eu apaixonada por tudo que esse universo tem pra oferecer. Então mais uma vez só posso dizer, vá, faça o passeio, vale muito a pena. No mais, as fotos falam por mim.

 

  

 

 

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Aquele 8 de março – 4 anos de casados

Eu lembro tão bem daquele 8 março,que quase posso tocá-lo. Há 4 anos atrás, fez um sol incrível, indo contra toda a previsão do tempo que era de chuva o dia todo. Mas não caiu uma só gota do céu. Daquele céu azul de um típico dia perfeito para uma praia. Lembro também de uma família unida, que acordou cedo e foi em peso fazer arranjos de flor, arrumar mesas, instalar luzes. De amigos maravilhosos que  fizeram o mesmo. Lembro de uma correria boa, de uma ansiedade saudável. Mas sobretudo lembro da felicidade que senti naquele dia. Um amor que transbordava. Nunca tinha me sentido tão feliz, e não imaginava que seria tão intenso, foi além de todas as minhas expectativas. Tinha a presença de Deus, tinha a força espiritual da aliança que estava sendo consagrada ali. Ainda bem que eu me abri para acreditar que há mais além do que meus olhos podem enxergar, porque assim eu pude sentir toda a intensidade daquele momento. O nosso momento. O momento que passamos a dividir nossa vida de verdade. Sério, eu achava que já fazíamos isso antes do casamento. Mas aquele 8 de março de 2014 me mostrou que havia mais, e que o mais estava ali, agora e para sempre. Entre os abraços, os sorrisos, os desejos mais sinceros de pessoas queridas. No abraço do Dhanner, no beijo dele que ficou incrivelmente ainda mais acolhedor. Não sei como explicar, não sei se você conseguirá entender, mas uma nova atmosfera surgiu em nossa vida, ali, naquele 8 de março, quando nossa aliança trocou de dedo.

Outra coisa que lembro bem é do cheiro do Dhanner, era o mesmo cheiro de sempre,  mas de uma forma mais marcante. Lembro que a cada abraço, a cada beijo eu não conseguiu deixar de perceber como aquele cheiro era bom. O cheiro do homem da minha vida, do meu amor para sempre. De lá para cá se passaram 4 anos, e temos vivido intensamente esse casamento. Nem sempre é perfeito, mas conseguimos sentir, ver, viver situações incríveis, bençãos que se não vem do céu, não sei como explicar. Vencemos barreiras, começamos projetos, conquistamos tanta coisa. Tem sido muito além do que pedimos, pensamos e sonhamos. Eu acredito que o nosso sim, os nossos votos, a nossa aliança tem uma força sobrenatural. E Ela tem nome, chama-se Deus, também conhecido como Amor. Hoje nós só podemos agradecer, e comemorar. Por estarmos juntos. Por nossa vida. Por tantas lembranças. E por aquele 8 de março, que eu me lembro tão bem que quase posso tocá-lo.

 

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Roteiro de Viagem Santiago – Chile

Esse mês fizemos nossa primeira viagem para o Chile e vamos começar aqui uma série de postagens do nosso roteiro de viagem de Santiago e também da patagônia chilena. A verdade é que ficamos apaixonados pelo país mais cenógrafico que já vimos até agora. Cheio de  lagos, vulcões, geleiras, montanhas, vinícolas e uma metrópole incrível também.

Chegando de avião em Santiago o espetáculo já começa com a cordilheira dos Andes vista de cima. Ela também  pode ser vista de quase todas as partes da capital, uma lindeza que só não nos fez suspirar mais por causa da Fog, uma espécie de neblina de poluição que não nos deixa vê-la com tanta nitidez. Mas é emocionante olhar para essa cadeia de montanhas com mais de 4000 metros e que é tão presente na cidade toda.

Além disso, Santiago respira história. No nosso primeiro dia lá fizemos um passeio pelo Centro, que é cheio de museus, galerias de arte e monumentos históricos. Nossa primeira parada foi o bairro Paris-Londres, estávamos hospedados ali perto, e ficamos simplesmente apaixonados pelas charmosas ruas de ladrilhos e pela carga histórica do local. Grande parte da arquitetura data dos anos 20 e foi projetada por arquitetos europeus, daí o bairro parecer um cantinho da Europa. Mas infelizmente não é só o charme que marca esse bairro, a ditadura militar chilena também deixou marcas profundas ali, como em todo o país.  Há uma construção que fica no nº 38 da Calle Londres que serviu como base do Partido Socialista do Chile, mais conhecido como Cuartel Yucatán. No local muitos opositores ao regime militar de Pinochet foram torturados  e mortos . Acredita-se que mais de 90 prisioneiros foram torturados na casa e até hoje estão desaparecidos. Na frente da casa há ladrilhos com os nomes e a idade dos desaparecidos, e a casa é hoje um memorial contra a ditadura. Considero a visita a esse bairro imperdível para quem visita Santiago, pela história e pela beleza do bairro que rende lindas fotos.

Nossa próxima parada foi o Palácio de la Moneda, sede da presidência do Chile, mas que a princípio foi construído para ser a Casa da Moeda do país, quando ainda era uma colônia espanhola. Foi ali que Salvador Allende foi assassinado durante o golpe militar. É possível fazer visitas guiadas dentro do Palácio, que acontecem de segunda à sexta e você poderá escolher entre quatro horários diferentes: às 09h30 e 11h00 pela manhã e  às 15h00 e 16:h30 no período da tarde. Dia sim, dia não também acontece a troca de guarda na frente do palácio, sempre à 10h00 da manhã nos dias úteis e às 11h00 nos fins de semana. Em anexo há também o Centro Cultural La Moneda, com várias exposições legais e entrada é gratuita até meio-dia. Outro passeio imperdível em Santiago. Arquitetura linda, história rica.

De lá partimos para a Plaza das Armas, onde fica também a Catedral Metropolitana e o museu histórico Nacional. Foi ao redor da plaza das Armas que a cidade cresceu, ela é  o marco zero da capital chilena, ou seja, onde foi fundada a cidade de Santiago do Chile por Pedro de Valdívia em 1541. A Catedral é imponente, com uma arquitetura belíssima, e o museu histórico é interessantíssimo, principalmente para quem ama história como eu. Lá é possível acompanhar toda a história do país, desde a colonização, passando pela tenebrosa ditadura até os dias atuais. Há muitas maquetes e documentos históricos, pra mim mais uma visita imperdível.

Mas o que mais amei conhecer nesse primeiro dia, sem desmerecer tudo que já falei até aqui, foi o museu de Belas Artes. Uma arquitetura de tirar o fôlego e um acervo com mais de 3 mil itens, entre pinturas e esculturas de artistas chilenos e europeus.  O museu fica de frente para o Parque Florestal, um dos oásis que existem em meio à correria da capital chilena. Muito verde, muita sombra, muitos picnics. Uma delícia de lugar.

E para fechar nosso dia o Cerro Santa Lucía foi mais do que eu esperava. Que lugar maravilhoso gente. Também no meio da cidade, o cerro tem uma vista incrível da cidade e dos Andes, é super alto, tem uma fonte e escadarias que levam a um mirante localizado no topo e que proporciona um belo visual panorâmico da região central da cidade e claro da linda cordilheira dos Andes. Pegamos o início do pôr-do-sol, e a beleza era tanta que nem lembramos que estávamos super cansados de andar o dia todo. O Cerro Santa Lucía mora no meu coração, sério, se eu for a Santiago 10 vezes, visitarei ele em todas elas.

Foi assim nosso primeiro dia em Santiago, e posso dizer que fomos positivamente surpreendidos por essa cidade que  já amamos. A noite desse dia eu conto em outro post. Termino esse dizendo, visitem o Chile.

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Sobre ser mulher, sobre ser eu.

Ultimamente ando bem reflexiva, acho que deu pra notar. Na verdade acho que sempre fui assim, mas agora tenho tentado parar e avaliar as coisas. Refletir sobre elas. Sobre ser mulher, sobre ser eu, Karina A vida de adulto não é fácil, todo mundo sabe disso. E quando você é mulher, muitos podem não concordar mas, tudo pode ser ainda mais complicado.

Vou falar de mim mesma, como mulher, que estuda, trabalha fora, cuida da casa e que ainda tem digamos, certas habilidades. Saber fazer as coisas é bom, mas cansa gente. Exemplo, eu cozinho, então quase tudo que quero comer eu que faço. E aí para ganhar tempo no futuro eu perco muito tempo no presente. Faço comidinhas para congelar, pesquiso aqui, testo ali e lá se foi a manhã toda. Quero trocar as almofadas da sala, e lá se vai mais tempo. Pesquisa referências, sai pra comprar tecido, costura, lava, passa, e voilá, almofadas novas. E muitas vezes a distância entre a compra do tecido e a costura são de alguns meses, porque né entra aí mais um monte de coisa que atras atudo, e parece que fica algo aceso lá no cérebro sempre lembrando de mais essa tarefa a cumprir. Só alguns exemplos de muitos que poderia dar, e junto a tudo isso limpa casa, faz almoço, faz algo pra tomar café, e vai jantar o que? Já limpou a coifa esse mês? Os ventiladores estão empoeirados de novo, tem que trocar a roupa de cama, mas antes limpar a caixa de gordura, e tem pilates, e agora o pilates virou natação ( a coluna agradece), e as contas pra pagar? Vixe venceu, corre pro internet banking (bendito seja). A manhã se foi, almoça correndo e vai trabalhar, volta pra casa, comer o que? Tem que ser low carb agora, precisamos perder peso, ufa, e a cabeça não para. Pera, chegou a sexta, e vai fazer almoço mais cedo, ir trabalhar mais cedo porque tem francês à noite, pardon, c’est la vie.

Sim sou dona de casa em tempo integral sem o tempo integral. Sou também mestra em comunicação, estudo pro doutorado, faço freela de redatora e revisora. Tem também o canal do youtube. É muita coisa eu sei, mas eu amo isso. Amo estudar, cozinhar, ter minha casa decorada e arrumada, escrever. Tenho ajuda em casa? Sim, mas minha cabeça não para porque sempre tem muita coisa para organizar. Mulheres são organizadoras natas, na maioria dos casos. E essa necessidade de organização traz junto, pelo menos pra mim, fadiga e culpa também. Me sinto culpada por não ver as pessoas que amo com mais frequência. O quadro de tarefas é extenso. E tem o lazer que a gente já se programa pra fazer a dois. Ou a um. E tem os amigos, bora marcar? E aí a família cobra e eu não consigo agradar a todos e ainda fazer tudo que preciso, tenho tentado a tal otimização de tempo, mas e descansa quando? Por isso decidi há uns meses que vou parar de me culpar por isso, quando não dá, não dá. Sempre procuro arrumar um tempinho para aqueles que amo, mas e quanto a mim?

Então essa é a realidade, não posso estar perto o tempo todo. Juro que gostaria de estar mais. Mas decidi me dar um pouco de tempo nesse 2018. A unha ainda não é feita regularmente, será que eu chego lá? Mas tenho pedido mais delivery, pensado numa faxina paga, e deitado no sofá sozinha pra relaxar e não fazer nada. Antes pasmem, me sentia culpada até por fazer isso, pensava no que tinha pra fazer e me jogada na empreitada ao invés de me dar um momento. Agora quero alguns momentos da minha vida pra mim, obrigada, de nada.

Ah e não estou reclamando de nada, é só um desabafo e talvez um diálogo com alguém, que como eu, se enche de culpa por não dar conta de tudo. Eu tenho consciência de que eu sou assim, que me preocupo demais, mas alguém tem que fazer esse serviço né?

E quero marcar mais com os amigos. Quero ver mais a família. Mas antes de tudo preciso viver a Karina.

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Sobre ter um lar

Quando criança eu sonhava com uma casa grande tipo a da Xuxa, que era tão, mas tão grande que precisava de um carrinho de golfe para chegar de uma lugar ao outro do jardim. Achava que tinha que ser assim, que o futuro tinha que ser luxuoso, não sabia a diferença entre ter uma casa e sobre ter um lar. Talvez porque minha casa na infância era tão simples, uma boa casa sim não se enganem, mas precisava de reformas e não se parecia nada com as casa das novelas, que hoje eu sei, são mansões e privilégio de poucos. Talvez a TV tenha ajudado a ter essa sensação errada na infância.

Mas hoje eu tenho a minha casa, e ela não se parece com a maioria das casas, não só da TV, nmas no geral. Mas é minha, é nossa. Ela tem o nosso jeito, reflete nossa personalidade, e eu aprendi enquanto crescia que o importante seria ter uma casa aconchegante, feliz. Que ela não precisava ser uma casa enorme, e não precisava ser cheia de luxos e nem ser igual a nenhuma outra. E descobri que o nome disso é lar.

Hoje quando eu chego em casa eu fico tão feliz. E sabe de uma coisa, é só isso que importa. É tão bom estar na nossa casa; cuidar da nossa casa; transformar, decorar, a nossa casa; poder chamar de nossa casa, nosso lar, onde eu vivo e vive meu abraço apertado. Percebi que a casa da Xuxa era o que ela precisava, sei lá porque e não me cabe julgar. Já eu, sabe, eu preciso é de olhar para cada canto e enxergar eles carregados de lembranças, nossas lembranças. De quando as paredes eram descascadas e nós pintamos, e depois repintamos. Da tão sonhada ilha da cozinha que mandamos fazer. Do escritório com mesa de cavaletes como queríamos. Das bancadas dos banheiros de pallet que o Dhanner fez. Dos sonhos que vão se realizando, devagar, mas quem está com pressa?

Às vezes quando eu e Dhanner estamos na sala eu posso sentir toda a sensação do primeiro dia que nos mudamos. Era uma felicidade sem igual. Estávamos lá, eu, ele e Dinah (que ainda estranhava a casa nova). Lembro de nós deitados no sofá em frente à TV e rodeados de caixas. Lembro de sentir estar vivendo em um sonho. Era nossa casa. Nós tínhamos a comprado e reformado. Quando ando de bicicleta à noite por um certo caminho também me encho de lembranças das nossas idas noturnas à casa em reforma pra ver as mudanças. Dhanner chegava do trabalho, pegávamos a bicicletas e íamos pra casa empoeirada, cheia de entulhos mas com tanto potencial. Quanta luta, quanto amor, quanta felicidade.

E é por tudo que falei aqui que acho que vale a pena botar a mão na massa. Que acho que as coisas que conquistamos com sacrifício dão um gostinho maior de vitória. Que sem ação não há lembranças. Que o simples tem tanto potencial. É tão bom voltar no tempo e poder sorrir de saudades. Essa casa de lembranças, de um presente sólido e de um futuro cheio de sonhos, essa é a casa que eu queria, e tenho, temos. Amo minha #casinhadek. Ainda sonho em ter um quintal, uma piscina talvez, mas não quero mais depender de uma carrinho de golfe há muito tempo.

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Eu e os trinta e poucos anos

Em 2017 eu fiz 33. Não escrevi nada aqui não sei porque. Provavelmente a falta de tempo. Mas esses dias pensando na vida, na minha vida, resolvi escrever. Porque muita coisa mudou na minha vida depois dos 30. Nem tudo para melhor, mas de certa forma sinto que a passagem para os trinta me mostrou realmente o que é maturidade. Talvez aos 40 eu perceba que não era tão madura assim, mas por enquanto sigo pensando que sou mais madura que aos 20 e poucos de uma forma que não imaginava que seria.

O que sei é  que antes dos 30 eu me importava muito com o que as pessoas iriam pensar. Pensava nas opiniões do mundo ao meu respeito. O que vão pensar se eu largar meu emprego, que me dá certa estabilidade e paga as contas no fim do mês? O que vão pensar se eu não me casar, não tiver filhos? O que vão pensar se eu não trabalhar na minha área de formação? O que vão pensar se eu não viajar pra Europa como todo mundo faz? O que vão pensar se eu disser que não conheço a música do momento? Que não concordo com várias coisas que são senso comum por aí? Enfim, eu deixava de falar muito, deixava de fazer, não por falta de vontade, mas por achar que as pessoas ao meu redor não aprovariam certas atitudes. Achava que ir contra a multidão não era uma opção.

E foi quase aos 30 que comecei a entender que não era bem assim, que eu não precisava viver de acordo com molde algum. Com 29, um mês antes de me casar, fui demitida e saí da sala do meu ex-chefe sorrindo. Feliz porque era exatamente o que eu queria mas não tinha coragem de o fazer. Alguns dias depois um amigo me perguntou se não estava batendo um desespero por não ter mais um emprego. Eu olhei pra dentro de mim naquele momento e percebi que não, que eu estava bem, que não queria um emprego naquele momento. Não que eu não precisasse, eu ralei muito desde então pra pagar as contas, mas eu precisava investir um pouco em mim, em outros projetos que eu tinha há tempo, e que deram certo graças a Deus. Não vou dizer que foi fácil, não foi mesmo. Dizer não para várias boas propostas para voltar a trabalhar na mesma área não foi tranquilo. Mas tive que fazê-lo, sabia que não me faria feliz naquele momento. Percebi sorrisos amarelos, pré-julgamentos de pessoas que não me entendiam, que não sabiam porque eu deixava um bom salário-fixo para viver de trabalhos esporádicos. Nesse tempo me tornei uma cozinheira, uma das paixões da minha vida. Já cozinhava antes, mas agora me dediquei a testar receitas, aprender técnicas, conhecer melhor ingredientes e temperos. Trabalhei todo o ano de 2014 com culinária, e também aprendi a costurar, uma vontade antiga que surgira na infância ao ver minha avó e mãe costurando. Surgiu a oportunidade e eu me lancei.

Falando ainda de 2014, quantas mudanças. Já com 30, passei no mestrado em comunicação na Ufes e eu e Dhanner, agora meu marido, demos entrada na nossa casa. Sem emprego, sem estabilidade, mas com toda força e coragem que conquistamos em um primeiro ano de casamento com pouco dinheiro no bolso e muitos desafios. Em 2015 comecei a estudar e fiz uma pausa na culinária como fonte de renda para me dedicar de corpo e alma à minha pesquisa. Fiz amigos incríveis no mestrado. Li pra caramba. Viajei para congressos, publiquei e percebi o quanto estudar me fazia falta. Antes não tinha tempo, não tinha o foco que tenho agora. Em 2015 fiz outra coisa que já tinha vontade há tempos : raspei meu cabelo, abandonei a química que tirava meus cachos, algo que tinha vontade de fazer há tempo, mas não tinha coragem, mais uma vez tinha medo do que os outros iriam achar ou pensar. Esse medo não existe mais. Em 2016 veio a qualificação, mais congressos, mais publicações, mais maturidade acadêmica e a oportunidade de continuar com minha outra paixão, a cozinha. Comecei o curso de gastronomia, aprendi muita coisa nova, terminei minha pesquisa, tentei o doutorado, não passei, mas fiz minha parte, tinha que fazê-lo, valeu a experiência.

2017 chegou com novos desafios. Me tornei mestra em comunicação. Técnica em Gastronomia. Estagiei em um dos melhores restaurantes do estado. De novo, aprendi muito. Forneço comidinhas saudáveis para o negócio de uma amiga. Voltei pra publicidade fazendo o que sempre gostei de fazer, escrever e planejar. Sou redatora e faço planejamento de mídia digital. Nunca deixei de fazer na verdade, nesses 3 anos longe de agência fiz vários freelancers, mas agora faço de forma mais frequente. Também estou estudando para o doutorado, continuo meus testes culinários e dando continuidade ao meu canal de receitas no youtube, afinal o que me faz bem precisa ser compartilhado.

São 3 anos na casa dos 30. 3 anos casada com o homem que mais me entende nesse mundo, embora não me entenda por completo, porque nem eu me entendo. Ao longo desses 3 anos fiz um mestrado, um curso de modelagem e um curso de gastronomia. Fui fornecedora de inúmeras festas, de aniversários a casamentos. Viajei para dois países da América do Sul, e já tô com mais um engatilhado. Conheci várias cidades do Brasil, a lazer com o Dhanner e em congressos com amigos do mestrado. Vi minha irmã se tornar uma mãe, e eu tô realizada em ser só tia por enquanto. Ainda  não  penso em outras situações envolvendo filhos, e eu e Dhanner estamos bem com isso. Nesses 3 anos também vi outra pessoas crescendo e amadurecendo, Dhanner, meu marido que profissionalmente tem se tornado um grande especialista em e-commerce e marketing digital. Sou uma esposa orgulhosa. Nos últimos 3 anos compramos nossa casa, reformamos e a estamos  decorando. Nossa família cresceu, Dinah ganhou um irmão, nosso Oliver. Não me importo mais com cobranças do mercado de trabalho, das pessoas, do mundo. Me lanço em tudo que eu acho que vale a pena. Tenho uma vida flexível e um milhão de projetos, alguns já iniciados. Perdi “amigos” porque não sou mais a pessoa legal que só posta coisas bonitinhas e deixa de falar o que pensa. Porque parei de sair com frequência, por falta de grana ou porque estava com muitas tarefas. Mas ganhei outros amigos, que estão em sintonia comigo. Que me amam pelo que sou. Com isso aprendi que amigo de verdade a gente tem poucos mesmo, minha opinião.

Há tanto para se fazer, me percebo hoje como uma parte ativa da sociedade, minha vida não tá separada da do restante, preciso me movimentar pra ajudar o mundo a girar da melhor forma possível. Por isso me posiciono politicamente, por isso não quero parar de estudar, de me manisfestar. Não faço muito, eu sei, mas minha intenção é evoluir sempre. Enfim, minhas ideias evoluíram, acredito eu, mas sei que não o bastante, nunca o será na verdade, mas o importante é não parar.

Os 20 e poucos foram outra fase, a vivi bem também. Graduação, namoro, morar sozinha, morar em república, primeiro emprego. Mas com 30 estou mais segura de mim, o que é natural né? A vida vai passando e vamos aprendendo com ela. A questão é que me prefiro agora. Meus gostos, minha mente, minha vida. Os 30 não são os novos 20, são simplesmente melhores que a década anterior.

trinta e poucos

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Viagem ao Rio de Janeiro

Esse mês fomos ao Rio. Primeira viagem ao Rio de Janeiro do Dhanner, que tinha um certo preconceito com a cidade, mas voltou com outros olhos. Pré-conceito de quem não conhece ao vivo, só pelo olhar da mídia. Dhanner não é muito disso, mas com o Rio não sei porque isso acontecia. Uma ideia de violência constante e de cariocas não muito simpáticos. Mas enfim, como eu ia para o Rock in Rio e ele tinha alguns dias de folga, resolveu me acompanhar. A sogra foi também, combinamos de ir ao festival juntamente com minha cunhada e os tios e prima do Dhanner, mas, acabou que minha cunhada não pode ir de última hora, e Dhanner acabou indo para o Rock in Rio também, não muito feliz, não é muito chegado a multidões.

Ficamos no Rio de Janeiro um total de 4 dias, de quinta a domingo. Na quinta conhecemos Botafogo, onde alugamos um apartamento pelo Air BNB. De frente pra praia, ótima localização e precinho camarada. Nesse dia, como chegamos na hora do almoço, procuramos um local para almoçar. Dhanner comeu no Hell’s Burguer, que foi super recomendado em vários sites e realmente vale a pena, carne suculenta, batatas fritas de verdade. Eu e minha sogra, Adriana, fomos de comida mexicana. Depois fomos visitar a Casa de Cultura Rui Barbosa, um local maravilhoso em Botafogo, cheio de história e com um jardim super lindo e calmo que te faz esquecer o caos do trânsito que está rolando lá fora. Fizemos a visita guiada pelo último lar de Rui Barbosa. De lá fomos ao Botafogo Praia Shopping, comemos uma pizza supervalorizada na pizzaria Tiramissù. Eu não gostei, pizza cara, massa super fina, fina mesmo que nem papel, não tô exagerando. Já tinha comido uma pizza assim antes, e não acho que massa de pizza tem que ser fina desse jeito. Mas enfim, questão de gosto. Depois comemos uma torta deliciosa no térreo do shopping, num café chamado Cafeína. Torta trufada. Chocolate puro. Maravilhosa. Nesse dia paramos por aí porque estávamos bem cansados da viagem.

Na sexta fomos cedo caminhar no calçadão de Ipanema. Tirei foto com dois amigos, Carlos Drummond de Andrade e Dorival Caymmi. Sempre quis um foto nas estátuas deles, e dessa vez consegui visitar. De lá fomos ao forte de Copacabana e visitamos o museu. Bem difícil visitar um museu com temática militar no Brasil, uma história digamos meio distorcida, mas enfim, a vista do Forte vale super a pena, sem falar que dá pra comer uma bela torta na confeitaria Colombo, que fica dentro do Forte. De lá fomos almoçar em Ipanema no L’entrecôt de Paris, restaurante do Olivier que tem apenas um prato, o corte Entrecot com molho secreto e batatas infinitas. A comida é realmente muito boa, me acabei nas batatas e na sobremesa depois. Pedimos duas, uma esfera com calda de nutella e sorvete de creme (que pra minha decepção era da Kibon, porque não fazer seu próprio sorvete gente?), e o famoso mousse do L’entrecôt que é realmente maravilhoso, tipo o meu =). Tô pra dizer pra vocês que consigo reproduzir aquele molho secreto, vou tentar um dia e se conseguir eu conto pra vocês.

Depois do almoço demos uma volta na lagoa Rodrigo de Freitas para digerir tanta batata e de lá fomos passear no parque Lage. Já conhecia o Parque Lage, mas é sempre bom ir pra lá. Muito verde, muita natureza, muita calma. Pena que já estava tarde e fica meio perigoso, o parque é muito grande, não tem segurança em toda parte, então ficamos pouco. À noite fomos conhecer um pouco da noite em botafogo e aproveitar para jantar. Comemos comida indiana, mas eu não lembro o nome do restaurante, só lembro que estava muito bom e que era perto do T.T Burguer de Botafogo. E assim foi nossa sexta no Rio. O resto da viagem fica pro próximo post.

Beijos

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Último dia da nossa viagem para o Uruguai – Dia 2 Punta del Este

No último dia da nossa viagem para o Uruguai fomos à praia. Foi divertido porque eu e Dhanner raramente escolhemos um destino para viajar que tenha praia. Fomos à playa Mansa, que ficava bem próxima ao nosso hotel, o dia estava lindo e a praia lotada. A água é gelada, e o local onde estávamos era parte da baía do rio da Prata. Passamos a manhã toda na praia e depois fomos conhecer os bairros mais afastados do centro da cidade e aproveitamos para almoçar por lá.

Fomos em direção contrária de Montevidéo, partindo de playa Brava, chegamos ao rio Maldonado onde fica a ponte Ondulada que é uma ponte que parece um tobogã cheio de ondulações. Do outro lado da ponte fica La Barra, um bairro cercado de praias e bem animado. Almoçamos num restaurante/lanchonete chamado Chill Out onde eu comi um Chivito de camarões no ciabatta maravilhoso. Chivito é uma espécie de sanduíche  típico do Uruguai, quase toda lanchonete serve Chivitos. Dhanner ficou com um hamburguer tradicional, que também estava muito gostoso. O clima do local era muito agradável, e o proprietário se divertiu tentando falar português com a gente. A cada 5 minutos ele vinha na nossa mesa falar algo.

Depois do almoço passeamos pelas praias de La Barra e de lá voltamos para a península para assistir mais um por-do-sol espetacular em Punta, o último de nossa viagem. Depois comemos churros perto do hotel, descansamos um pouco e passeamos na noite de punta para nos despedirmos da cidade. Acabamos jantando empanadas de novo porque amamos as empanadas e queríamos comer mais uma vez. Fomos a uma outra casa de empanadas mais distante do hotel, mas não eram tão gostosas quanto as que havíamos comido no dia anterior então passamos nas Empanadas Loucas e comemos mais algumas.

Nesse dia fomos dormir cedo porque nosso voo era bem cedo em Montevidéu então saímos de madrugada de Punta, entregamos o carro no próprio aeroporto e embarcamos rumo ao nosso querido país Brasil, não sem antes comprar maquiagem no freeshop =). Como Vitória não tem aeroporto internacional, sempre temos que fazer escala, e dessa vez a escala foi cruel, foi café, almoço e a tarde toda em Guarulhos. Aproveitamos o tempo pra colocar as séries em dia, comer nosso sanduíche favorito do Pizza Hut e tomar café no starbucks.

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