Casamento DEK

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Sobre ser mulher, sobre ser eu.

Ultimamente ando bem reflexiva, acho que deu pra notar. Na verdade acho que sempre fui assim, mas agora tenho tentado parar e avaliar as coisas. Refletir sobre elas. Sobre ser mulher, sobre ser eu, Karina A vida de adulto não é fácil, todo mundo sabe disso. E quando você é mulher, muitos podem não concordar mas, tudo pode ser ainda mais complicado.

Vou falar de mim mesma, como mulher, que estuda, trabalha fora, cuida da casa e que ainda tem digamos, certas habilidades. Saber fazer as coisas é bom, mas cansa gente. Exemplo, eu cozinho, então quase tudo que quero comer eu que faço. E aí para ganhar tempo no futuro eu perco muito tempo no presente. Faço comidinhas para congelar, pesquiso aqui, testo ali e lá se foi a manhã toda. Quero trocar as almofadas da sala, e lá se vai mais tempo. Pesquisa referências, sai pra comprar tecido, costura, lava, passa, e voilá, almofadas novas. E muitas vezes a distância entre a compra do tecido e a costura são de alguns meses, porque né entra aí mais um monte de coisa que atras atudo, e parece que fica algo aceso lá no cérebro sempre lembrando de mais essa tarefa a cumprir. Só alguns exemplos de muitos que poderia dar, e junto a tudo isso limpa casa, faz almoço, faz algo pra tomar café, e vai jantar o que? Já limpou a coifa esse mês? Os ventiladores estão empoeirados de novo, tem que trocar a roupa de cama, mas antes limpar a caixa de gordura, e tem pilates, e agora o pilates virou natação ( a coluna agradece), e as contas pra pagar? Vixe venceu, corre pro internet banking (bendito seja). A manhã se foi, almoça correndo e vai trabalhar, volta pra casa, comer o que? Tem que ser low carb agora, precisamos perder peso, ufa, e a cabeça não para. Pera, chegou a sexta, e vai fazer almoço mais cedo, ir trabalhar mais cedo porque tem francês à noite, pardon, c’est la vie.

Sim sou dona de casa em tempo integral sem o tempo integral. Sou também mestra em comunicação, estudo pro doutorado, faço freela de redatora e revisora. Tem também o canal do youtube. É muita coisa eu sei, mas eu amo isso. Amo estudar, cozinhar, ter minha casa decorada e arrumada, escrever. Tenho ajuda em casa? Sim, mas minha cabeça não para porque sempre tem muita coisa para organizar. Mulheres são organizadoras natas, na maioria dos casos. E essa necessidade de organização traz junto, pelo menos pra mim, fadiga e culpa também. Me sinto culpada por não ver as pessoas que amo com mais frequência. O quadro de tarefas é extenso. E tem o lazer que a gente já se programa pra fazer a dois. Ou a um. E tem os amigos, bora marcar? E aí a família cobra e eu não consigo agradar a todos e ainda fazer tudo que preciso, tenho tentado a tal otimização de tempo, mas e descansa quando? Por isso decidi há uns meses que vou parar de me culpar por isso, quando não dá, não dá. Sempre procuro arrumar um tempinho para aqueles que amo, mas e quanto a mim?

Então essa é a realidade, não posso estar perto o tempo todo. Juro que gostaria de estar mais. Mas decidi me dar um pouco de tempo nesse 2018. A unha ainda não é feita regularmente, será que eu chego lá? Mas tenho pedido mais delivery, pensado numa faxina paga, e deitado no sofá sozinha pra relaxar e não fazer nada. Antes pasmem, me sentia culpada até por fazer isso, pensava no que tinha pra fazer e me jogada na empreitada ao invés de me dar um momento. Agora quero alguns momentos da minha vida pra mim, obrigada, de nada.

Ah e não estou reclamando de nada, é só um desabafo e talvez um diálogo com alguém, que como eu, se enche de culpa por não dar conta de tudo. Eu tenho consciência de que eu sou assim, que me preocupo demais, mas alguém tem que fazer esse serviço né?

E quero marcar mais com os amigos. Quero ver mais a família. Mas antes de tudo preciso viver a Karina.

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